.No caminho através dos campos
Na terra das lagartas a vida era sempre curta e difícil. Os vastos campos onde elas viviam eram misteriosos e incertos. A procura por comida e abrigo às vezes as levavam para desertos sem folhas onde muitas morriam de fome ou pelo sol escaldante. E até mesmo os campos verdejantes, lotados de folhas largas e verdes, eram muito perigosos. Muitas das plantas que pareciam as mais apetitosas eram na verdade venenosas. As lagartas tinham um apetite extremamente voraz, porém, pouca habilidade para discernir entre as folhas boas e as venenosas. Enquanto algumas sofriam e morriam de fome outras pereciam com seus estômagos e corações cheios. Mesmo quando elas não eram venenosas, as exuberantes folhas faziam com que muitas lagartas abandonassem a jornada à procura de um lar permanecendo onde as folhas eram verdes, apenas para descobrir, tarde de mais, que mesmo os campos mais verdes um dia tornam-se marrons. Havia um pequeno grupo entre elas que sonhava com um modo de vida melhor. Elas falavam sobre controlar seu apetite e marcar as plantas que eram consideradas impróprias para ingerir. Umas dedicavam suas vidas procurando pelo caminho através do campo do qual falavam antigas lendas, enquanto outras continuavam batalhando para fazer seu próprio caminho, desprezando as lendas e considerando-as mitos tolos. Mas a maior parte das lagartas era indiferente e estavam conformadas. “Nós somos lagartas e isso é tudo que somos,” elas diziam. “As coisas não vão mudar. Um caminho é tão bom quanto qualquer outro. Comer, beber e se casar, não importa como seja nosso pêlo, crespo, listrado ou malhado, todas nós vamos nos perder e morrer no final de tudo.”
Paul Volk
quinta-feira, 22 de março de 2007
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