domingo, 19 de agosto de 2007

Deus está morto!


O autor desta frase foi o filósofo alemão do séc. XVIII Friedrich Wilhelm Nietzsche. Neto de pastores protestantes, Nietzsche começou a afastar-se do cristianismo em 1858 ao começar a estudar na famosa escola de Pforta onde foi influenciado por alguns professores e algumas obras de filósofos como Fichte, Schiller, Holderlin, Byron e Platão.

Para Nietzsche, o cristianismo foi inventado para compensar a miséria na qual viviam algumas pessoas da época; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos mais fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o próprio corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. Essa era a visão que Nietzsche tinha a respeito de Deus.

Todos nós temos idéias sobre quem é Deus. Alguns vêem Deus como um carrasco, outros como o amor em pessoa. Alguns o vêem como o balconista de um bar outros como digno de receber todas as coisas. Alguns o vêem como único culpado pelas tragédias da humanidade outros como a fonte eterna da bondade. Enfim, concebemos várias idéias a respeito de Deus e muitas vezes são essas idéias que determinam que tipo de relacionamento temos com Ele.

Em toda a bíblia, podemos ver Deus se esforçando para levar o homem a um relacionamento profundo com Ele. Deus sempre tomou a iniciativa de chamar o homem para mais próximo da sua glória, do seu amor e da sua presença. O ato culminante deste esforço foi o sacrifício de seu único filho, Jesus, que abriu de uma vez por todas o acesso à Ele. Este sacrifício foi feito em favor de todos os homens maus e bons, pois a vontade de Deus é que todos se salvem, porém isso não depende de dele. O que Ele poderia fazer, já foi feito. A parte que cabe à humanidade é aceitar esse ato de bondade e se conscientizar da sua posição diante do Criador de todas as coisas.

Aceitar o amor de Deus e saber que em nosso próprio pecado não somos merecedores deste amor, nos faz conhecer a graça. Através desta graça podemos prosseguir em conhecer Deus nos relacionando com Ele de uma forma mais íntima e é exatamente a falta desse ponto de vista que levou Nietzsche a agredir o cristianismo com tanto empenho. A visão que Nietzsche a respeito do cristianismo era totalmente deturpada, não é a visão bíblica de cristianismo. Nietzsche via o cristianismo como um subterfúgio para os mais fracos. Era como uma válvula de escape para os menos afortunados compensarem suas misérias e tristezas da vida.

O cristianismo bíblico essencialmente descreve um grupo de pessoas se relacionando intimamente com o Deus soberano para expandir o Seu Reino de paz e alegria por todo o mundo dando continuidade ao que foi iniciado pelo mestre Jesus. Não era essa a realidade na época de . Não é essa a realidade atual. Na época de Nietzsche, vemos um cristianismo usado por homens gananciosos como uma forma de manipulação dos mais fracos. A igreja foi algo projetado cuidadosamente por Deus para revelar sua graça aos homens e ter uma relação influente com o mundo, porém na época de Nietzsche significava completo isolamento da “sociedade suja e pecadora” (qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência).

Como é o cristianismo hoje? Podemos dizer que é uma confusão total! O fato é que os cristãos vivem a pior crise de identidade de sua história. Vemos homens preocupados com valores ínfimos, ao invés de valorizar o relacionamento verdadeiro com Deus. Vemos o cristianismo transformado em comércio e sendo usado como um modo de ganhar a dinheiro ao invés de ser o agente transformador de um mundo perdido. Vemos que o compromisso com a política e com as denominações é mais importante do que o compromisso com a verdade suprema. Há uma inversão de valores que contamina a igreja. O que era para ser considerado importante tornou-se descartável. Uma nova denominação nova surge a cada dia mutilando cada vez mais o corpo de Cristo. Isso resulta em um grande número de pessoas que estão fracas e incapazes de conhecer a Deus como Ele é. Estão apenas à espera do próximo culto sem se preocupar em saber quem é Deus e o que Ele quer.

Baseado nesta realidade, A. W. Tozer diz em uma de suas obras que “o cristianismo evangélico está tragicamente abaixo dos padrões do cristianismo do Novo Testamento”. Para Nietzsche Deus está morto, pois ele mesmo (Nietzsche) foi vítima do sistema dominador e manipulador que é o cristianismo dirigido pelos homens. E assim como Nietzsche, existem muitos que nunca experimentaram um verdadeiro relacionamento com Deus. Sempre foram escravizados, explorados e manipulados por um sistema religioso dirigido por homens gananciosos e interessados apenas em seus próprios reinos com suas reputações acima dos padrões morais bíblicos, templos luxuosos, programações empolgantes e grandes somas de ofertas e dízimos.

Para muitos, a pessoa de Deus se resume nessas coisas e não me surpreende o fato de haver pessoas como Nietzsche que escolhem atacar o cristianismo ao invés de se empenhar em uma restauração dos valores que foram perdidos. Valores que são restaurados quando ampliamos a nossa visão e passamos a olhar além dos muros eclesiásticos, onde estão aqueles pobres e ricos. Todos igualmente necessitados de conhecer o caminho de volta ao Pai que foi a muito tempo deixado para trás.

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